




...até agora. Mas a fase sem graça e desesperada acabou!
Por enquanto.
No momento, eu daria um cartão vermelho para todas as músicas que insistem em se encaixar exatamente com minhas dúvidas existenciais. Porque é que justo no seu momento mais fossa, mais o-mundo-me-odeia-preciso-de-alguém-que-me-ame, todas as músicas que eu ouço parecem se encaixar na situação e me indicar um caminho que eu tenho medo de seguir? Ou então elas se encaixam exatamente com meu estado de espírito, sem tirar nem por, e acabam me deixando mais triste que antes! Só pode ser uma conspiração de todas as rádios, todos os programas de execução de música, todos os sites como o blip.fm ou o last.fm! Só pode ser uma conspiração. Só pode! Então, cartão vermelho prá essas músicas lindas, mas torturantes!
Há algum tempo, num dia muito ruim, ela chorou. Chorou como se não houvesse amanhã, como se as lágrimas fossem eternas, como se o mundo se resumisse a isso. Chorou como se as lágrimas fossem lavar sua alma, como se, com elas, se fossem todos os problemas que vinham se acumulando. Dizem que, quando se aguenta calada muitas coisas ruins, o copo acaba transbordando, e nesse dia, seu copo definitivamente transbordou. E com isso, transbordaram as lágrimas em seus olhos, como já foi deixado bem claro.
Todo mundo já pensou que a vida daria um filme... A minha daria vários! De cinco em cinco minutos, vejo o script do filme da minha vida dar uma guinada repentina e mudar completamente de rumo! O início do meu dia é uma grande comédia, daquelas em que, por conta do sono, tudo dá errado prá protagonista. Se o dia é importante, então, a luz acaba, a água do chuveiro esfria, o ônibus passa logo antes de dar tempo de chegar ao ponto e, no caminho, vem à cabeça que se esqueceu algo em casa, algo que não podia ter ficado para trás de forma alguma! E então, como num passe de mágica, tudo muda para um desses romances divertidos: fico sem fala ao ver aquele cara, dou mil e uma mancadas na frente dele. E, novamente, o gênero do filme muda e estamos em um drama: chega a tpm! Com ela, o acontecimento mais insignificante vira motivo prá rios de lágrimas e desespero. Na hora de voltar para casa, uma aventura: sobreviver ao horário de pico nas grandes cidades! E, no fim do dia, quase sempre vem o final feliz, tão comum em filmes. A não ser que, por conta de alguma prova com pouco tempo para se estudar, a comédia em que tudo dá errado comece mais cedo...
Não é fácil gostar de si mesmo. Você sempre será mais gorda ou mais magra do que aquela pessoa perfeita. Mais alta ou mais baixa do que a altura que sempre quis ter. Quando adolescente, invariavelmente teve mais espinhas que o necessário. Sua pele nunca será igual a um pêssego, e seu humor, convenhamos, nem sempre está lá muito bom. A gente nunca está completamente satisfeito com o que é, e isso não é ruim. Se não fosse por isso, não haveria essa busca constante do ser humano por ser sempre melhor, e mundo não estaria tão cheio de inovações.
Como que uma maldição, o alegre pacote colorido se desfez, e todas as suas manias - que tanto amava! - se foram ao chão. "E agora?", ela pensou. Eram tantas coisas que teria que retomar, tantas manias que deveria se lembrar, por só eram vividas em torno da antiga obsessão.